Aqui me encontro neste canto recatado,
No meu recanto de encanto,
Cantando retalhos talhados de amor
Recortando a melodia da vida.
Aqui me encontro neste canto
Alinhavando recortes em dó menor
Aqui me encontro cantante,
Graciosa, radiante….
Saudosa,
Tua.
Virgínia Pedras
Que o orvalho da noite
Humedeça teu rosto
E te devolva o beijo que lhe emprestei.
Virgínia Pedras
Quero desmaiar em longínquas ondas,
Borbulhar como elas no destino,
Revirar em correntes esquecidas
E refugiar-me enfim, em areias amigas.
Virgínia Pedras
Eu, tu...
O mar, os gritos do mar
A brisa...a chuva...
As lamúrias do vento.
Eu, tu...
Nada mais perfeito.
Virgínia Pedras
Ao amor da minha vida...obrigada pela perfeição que trouxeste.
Sonho com o teu corpo
Suado, despido, sofrido, sentido,
Sobre o meu,
Sentido, sofrido, despido, suado.
Sonho com a tua respiração ofegante
Sobre a minha pele desnudada,
As tuas mãos nervosas e firmes
Descobrindo que de meus poros
Pingam vontade e paixão.
Sonho que nossos corpos
Se reconhecem e se fundem,
Sonho que o nosso olhar
Se prolonga pelo infinito
Onde num qualquer canto
Foi escrito,
Eu sou tua, tu és meu
Virgínia Pedras
Tentei versificar a inveja,
Nem a tinta se conseguiu expressar.
Ultrapassa-me.
Virgínia Pedras
Pintei uma melodia em aguarelas
Soprei-a ao vento
E pedi-lhe que a chovesse perto de ti.
Foi o meu coração
Cantou as cores do sentimento,
Este artista vagabundo
Do pincel fez instrumento.
A chuva não caiu
E a musica não se ouviu
Na pintura, uma pauta.
No coração, a tua falta.
Virgínia Pedras
O musgo do mármore
Entre a chuva oblíqua,
Um cheiro inerte
Que passa e fica.
Uma folha rasgada
Por entre a ramagem,
Uma gota acamada
Que perdeu viagem
São assim os pormenores
Virgínia Pedras
De pincel na mão
Pintei uma mulher
Em aguarelas.
Dilui-lhe todas as mágoas em tinta
E pintei-lhe uma lembrança
Nas faces sem rosto
Uns pingos de saudade
E um sorriso sem lábios.
Virgínia Pedras
No azul do céu,
Um olhar infinito.
No silêncio das cores,
Melodia celeste.
Na beleza das coisas,
Um constante pensamento
Em segredo agradeço-te
O encantamento.
Virgínia Pedras
Quero amar a natureza,
Respirar beleza,
Mergulhar em pureza,
Expandir-me em verdade.
Quero amar-me em liberdade,
Ondear por maresias,
Sentir e sonhar em brisas.
Quero encontrar-me em cada flor,
Desfolhar-me em preces,
Onde o céu é a minha abóbada,
O mar, o meu altar,
E a natureza: o meu Deus
Virgínia Pedras
Risquei todas as letras
Que poetizei para ti
Risquei-as
Eram demasiado imperfeitas.
Calei todos os versos
Que versejei para ti.
Calei-os.
Eram demasiado insonoros.
Embrulhei em papel
As letras e os versos,
Mudos e riscados,
E acendi com eles uma fogueira.
Errei
Nas cinzas encontrei
O verdadeiro poema.
O meu amor é assim,
Insonoro e imperfeito.
Virgínia Pedras
31.Julho.2005
Quando eu morrer
Não me ofereçam flores
Não me ofereceram
Quando eu quis perfume
Quando eu morrer
Não derramem lágrimas
Eu não as sentirei
Tal como não sentiram
As que derramei.
Quando eu morrer
Não vistam preto,
Eu sempre vi pra além das cores
Quando eu morrer
Não entristeçam
Pois terei abraçado a morte
Com um sorriso pincelado nos lábios.
Virgínia Pedras
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